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Comandante Rapaci afirma que 40% das mortes por afogamento ocorrem após ingestão de álcool

Esta semana, o Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar) do Litoral Norte divulgou dados sobre os trabalhos da equipe na região durante as duas últimas temporadas de verão. Para saber mais detalhes sobre a segurança nas praias, o portal Tamoios News conversou com o comandante João Batista Rapaci. Na entrevista, ele falou sobre as praias que possuem guarda-vidas o ano todo e as que possuem apenas durante o verão, sobre os locais com maior incidência de afogamentos, sobre os recursos que os bombeiros utilizam para fazer os resgates no mar, sobre o perfil mais comum das vítimas de afogamento e também deu dicas para os banhistas aproveitarem as praias com mais segurança.

Praias que possuem guarda-vidas o ano todo

Segundo o comandante Rapaci, isso pode variar mês a mês de acordo com o efetivo. Às vezes há guarda-vidas de férias, em curso ou que precisam de afastamento médico. 

Mas em geral fora da temporada, em Caraguatatuba há guarda-vidas nas praias Martim de Sá, Prainha e Cocanha. 

Em São Sebastião,  há guarda-vidas nas praias de Maresias e Camburi 100% do tempo e por volta de 50% em Juqueí, às vezes em Guaecá também, principalmente quando há feriado. 

Em Ubatuba, há guarda-vidas na Praia Grande, Toninhas, Tenório e Perequê-Açú, 100% do tempo e sempre que possível também em Itamambuca e na praia da Maranduba. 

Em Ilhabela, como não há base fixa do GBMar, só há guarda-vidas durante a temporada.

Porém, o comandante lembra que o GBMar possui embarcação e viatura de resgate e salvamento aquático nas três cidades (Caraguatatuba, São Sebastião e Ubatuba). Então, mesmo que a equipe não guarneça as outras praias, são realizadas rondas com as embarcações (bote inflável, jet ski, ou viatura de resgate). Nas rondas, os bombeiros identificam riscos e o movimento nas praias. “Se às vezes tem um público fora do normal, por exemplo na praia do Aruan, às vezes domingo existe ônibus que vem e eles ficam aqui no Aruan. Então a gente identifica isso e faz o deslocamento de efetivo ou de embarcação para esses locais”, explica Rapaci.

Praias que possuem guarda-vidas durante a temporada

Durante a temporada, com o aumento no número de pessoas nas praias, cresce também o número de locais com guarda-vidas. Segundo o comandante, em Caraguá a equipe  guarnece a praia da Mococa, Cocanha, Massaguaçu, Capricórnio, Martim de Sá, Prainha, Indaiá, Pan Brasil, Praia das Palmeiras, Romance e Flecheira.

Em São Sebastião, guarda-vidas protegem banhistas das praias da Cigarras, Arrastão, Porto Grande (Balneário dos Trabalhadores), Guaecá, Toque-toque Grande, Toque-toque Pequeno, Santiago, Paúba, Maresias, Boiçucanga, Camburi, Juquehy, Barra do Una, e dependendo do efetivo, Engenho e Juréia.

Em Ubatuba, na temporada há guarda-vidas nas praias do Ubatumirim, Puruba, Félix, Itamambuca, Vermelha do Norte, Perequê-Açú, Vermelha do Centro, Tenório, Praia Grande, Toninhas, Sununga, Lagoinha, Sapê e Maranduba.

Em Ilhabela, durante o verão, os guarda-vidas protegem os banhistas na praia do Bonete, Castelhanos, Curral, Praia Grande, Perequê e Ilha das Cabras.

Praias com maior incidência de afogamentos

Antes de apontar as praias onde ocorrem mais casos de afogamentos, o comandante Rapaci ressalta que não existe praia mais ou menos perigosa. 

“Cada praia tem seus riscos, a própria água do mar é um risco, independente de ter onda ou não. Ainda existem praias que têm buracos, correnteza, pedra, costeira, entrada e saída de embarcação, desembocadura de rio, nessas praias existem mais riscos. Com mais riscos, a chance da pessoa que não tomar certo cuidado se acidentar é maior. A atitude do banhista é a primeira coisa que vai deixar a praia mais ou menos perigosa. Se você for para uma praia tranquila e abusar do mar, nadar para o fundo, ingerir muita bebida alcoólica, comer demais e quiser entrar no mar, você vai estar se colocando em risco, independente de outros riscos existentes”, alerta.

De acordo com Rapaci, a maior parte das ocorrências de afogamentos se dá na Praia Grande (Ubatuba), Maresias e Camburi (São Sebastião), Toninhas, Tenório e Itamambuca (Ubatuba) e depois em Juquehy (São Sebastião). Além dessas, Guaecá (São Sebastião) e Maranduba, na ilha do Pontal (Ubatuba), também são locais de atenção para os bombeiros.

Recursos utilizados pelos bombeiros nos resgates no mar

Para realizar os resgates, o comandante explica que os bombeiros possuem alguns recursos, como o EPI (equipamento de proteção individual), que inclui a nadadeira, o apito para fazer a sinalização e o flutuador. Há também os equipamentos de apoio, como o pranchão de salvamento e as embarcações (bote inflável ou jet ski). 

Na temporada, os bombeiros contam com apoio do helicóptero Águia da Polícia Militar, que se desloca para o litoral para a Operação Praia Segura. Há, ainda, as Unidades de Resgate de Salvamento Aquático (URSAs), que também apoiam o socorro das vítimas.

Perfil mais comum das vítimas de afogamento

Existe um perfil das pessoas que se afogam e vão a óbito, e esse perfil é analisado pelos bombeiros. O comandante Rapaci explica que as vítimas em São Sebastião e Ubatuba apresentam semelhanças. Aproximadamente 90% é do sexo masculino, 56% tem entre 15 e 30 anos, a maioria é estudante, 45% são solteiros, 30% são da grande São Paulo ou do interior, a maioria com 2º grau completo e que visita o litoral pelo menos 1 vez por ano. 

Já em Caraguatatuba, há maior incidência de pessoas com mais de 50 anos que morrem afogadas, a maioria é casada, 30% são aposentados, e a maior parte visita a praia no mínimo 2 vezes por ano.

O comandante alerta que 40% dos óbitos por afogamentos acontecem após ingestão de bebida alcoólica e que 90% das vítimas morrem em praias onde não há guarda-vidas.

“Por isso que a primeira dica que a gente dá, é que as pessoas que não estão acostumadas a ir à praia, não conhecem as peculiaridades da praia, dêem preferência para as praias que são vigiadas por guarda-vidas”, orienta Rapaci.

Prevenção

O GBMar trabalha com foco na prevenção, para que não seja necessário chegar ao ponto de precisar fazer um resgate. “O salvamento nunca é aquilo que a gente almeja, a gente sempre pretende realizar a prevenção, orientar o público para que ele não se coloque em risco. Mas às vezes, num descuido, o banhista acaba entrando numa corrente de retorno, ou acaba sendo pego despercebido por um alimentador (local próximo da correnteza), então às vezes acontecem salvamentos. Nessa temporada foram 707! Então é sempre uma adrenalina identificar a pessoa que está em risco”, explica o comandante.

“Muitos de nossos salvamentos são de pessoas que apenas estavam em situações de risco, muitas vezes sem nem perceber. Tanto é que muitas vezes você chega do lado da pessoa e fala que ela está em risco e pede para ela segurar o flutuador, e ela fala que está tranquila. Mas a gente como profissional sabe que ela não está, que ela não conseguiria sair daquela correnteza. Então nós avisamos que é um local de risco, que é melhor sair e auxiliamos ela a sair do local”, relata Rapaci. 

Dicas para aproveitar as praias com segurança

Para finalizar a entrevista, Rapaci dá algumas orientações de segurança nas praias. “Procure sempre o guarda-vidas, lembre-se que água no umbigo é sinal de perigo, evite bóias e objetos flutuantes que dão uma falsa sensação de segurança, pois se você estiver segurando uma bóia e for pego por uma correnteza, ela vai conseguir te arrastar mais facilmente, então tome cuidado. Pedras e costeiras são sempre escorregadias e devem ser evitadas. Se for andar em uma costeira, vá com guia, com alguém que conheça, evite ir após chuvas e chuviscos, porque ela vai ficar mais escorregadia ainda, tome sempre um cuidado extra. Evite o excesso de bebida alcoólica e comida. E qualquer coisa, liguei 193 pro corpo de bombeiros, a gente vai o mais rápido possível pro local”, afirma o comandante.

*Texto: Renata Takahashi / Tamoios News