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Projeto que atende crianças em São Sebastião entrega doações para as famílias durante a pandemia

Funcionários do Projeto Garoçá cuidam da horta comunitária.

O projeto Garoçá, que fica na Enseada, em São Sebastião e atende 140 crianças dos bairros Enseada, Jaraguá e Canto do Mar está com as atividades suspensas devido a pandemia, mas tem procurado, na medida do possível estar presente na vida das famílias. A porta de entrada das crianças é através do Centro de Referência da Assistência Social (CRAS). No projeto existem atividades de apoio pedagógico, meio ambiente, esportes integrados, pilates, karatê, arte corporal e capoeira.

Antes da pandemia as crianças iam até o projeto no contra turno das aulas. Pela manhã funcionava das 8h às 11h. E à tarde das 13h às 16h. Além das atividades, as crianças que ficavam no projeto pela manhã recebiam café da manhã e almoço. As que estudavam a tarde recebiam almoço e café.

“Atualmente montamos estratégias para o atendimento remoto das famílias referenciadas no Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculo, além das constantes conversas com as famílias pelo WhatsApp e em alguns casos presencialmente, com todos os protocolos de saúde necessários”, explica Luciana Gallani, coordenadora do Garoçá.

Funcionários do Projeto Garoçá cuidam da horta comunitária.

Desde o início da pandemia os professores confeccionam um caderno de atividades e distribuem de casa em casa. “Esse material é feito com muito carinho com o intuito de mostrar e estimular a criança a entender e fazer as atividades que teríamos no decorrer do mês dentro do espaço do projeto. Durante a entrega aproveitamos para saber como está a família, consequentemente mapeamos as informações e junto a parceria do CRAS Costa Norte procuramos ajudar as famílias referenciadas no SCFV”, explica a coordenadora.

Fora o caderno de atividades, no decorrer do ano de 2020 e agora em 2021 os funcionários do projeto desenvolveram ações que reverteram produtos em várias formas para as famílias referenciadas. “Entregamos lembrancinhas em datas comemorativas, distribuímos leite, arroz e outros alimentos em pequenas quantidades, mas sempre tentando minimizar os efeitos desse momento tão delicado. Fizemos bazar com roupas, sapatos e brinquedos. Entregamos hortaliças colhidas na nossa horta e também peixes que recebemos de doação do Fundo Social”, cita Luciana.

Doação de peixes que o projeto recebeu e repassou às famílias.

A professora Fabiana Medeiros dos Santos, responsável pelo projeto da Horta Garoçá conta que a horta e a compostagem começaram em 2017. “Todos os cuidados e preparos da horta eram realizados com as crianças. Fazíamos a limpeza do espaço, semeávamos novas hortaliças, acompanhávamos o crescimento e fazíamos a colheita. As colheitas eram doadas paras as crianças levarem para casa a fim de estimular a alimentação saudável”, detalha Fabiana.

Desde que a pandemia começou a equipe cuida e semeia e faz as colheitas para doar para as crianças atendidas. Na plantação atual eles tem: alface, couve, espinafre, rúcula, salsa, cebolinha, coentro, manjericão, alecrim e orégano.

Os professores Fabiana Medeiros dos Santos e Alex Getúlio em uma das colheitas da horta.

 Algumas famílias que fazem parte do projeto

Liliane Santos de Jesus Pires Ferreira está feliz pelos dois filhos participarem do Garoçá e cita uma das ações. “Somos gratos por terem feito essa horta maravilhosa, já fomos beneficiados com as hortaliças. Recebemos alface, salsinha, cebolinha, couve e outras doações também! Antes da pandemia eles faziam assim, a criança escolhia a hortaliça que queria, assim, estimulava ela a consumir aquela verdura que plantou, regou, cuidou e ajudou a colher, para que todas as crianças do projeto tenham o costume de consumir esse tipo de alimento, que faz tão bem para a saúde”, conta Liliane.

Para ela falar sobre o projeto é se emocionar. “É um presente de Deus para minha família e pra muitas outras famílias. Meus filhos estão no projeto há seis anos e não temos nada para reclamar, pelo contrário, só agradecer por tudo e toda atenção que é prestada a todas as crianças!”

Egney Aparecida de Assis tem uma filha de nove anos no projeto. “Ela participa desde os seis anos. Me ajuda muito, pois tive um acidente e tenho um problema no joelho e não consigo me locomover e como mãe de uma das crianças que faz parte do projeto e admiradora do trabalho deles só tenho a agradecer. Deveria existir mais Garoças pela cidade, pois além de tudo que fazem, ajudam na questão de ficar com nossos filhos nas horas que não estão na escola. Se não fosse a pandemia a minha filha estaria estudando na parte da manhã e na parte da tarde estaria no projeto, então isso pra gente é muito importante. Temos a confiança em deixar nossos filhos irem. Desde da parte da faxineira, a cozinheira, como a parte dos professores e a direção, todos nos atendem muito bem. É umas das melhores coisas que nossa cidade tem”, parabeniza Egney.

Enilson Cardoso da Silva tem uma filha de 10 anos no projeto. “Para mim o projeto ajuda em vários desenvolvimentos, não só no ambiental, mas também no social, com atenção, com alimentos e por isso a minha gratidão a todos que fazem parte dessa iniciativa”, agradece.

Dessa forma, mesmo sem a convivência presencial o projeto Garoçá procura contribuir para o fortalecimento de valores e cidadania relacionados ao meio ambiente.  “Acreditamos que nossas crianças poderão transformar nosso planeta em um mundo melhor para se viver”, encerra Luciana.

 Sobre o projeto

O Projeto Garoçá iniciou as atividades em outubro de 2000, com a assistente social Maria Inês Nascimento com o apoio dos pais, escolas dos bairros próximos, conselhos e atendimentos da Costa Norte. Com atividades como música (fanfarra), reforço escolar, artesanato, educação física, dança e aulas de pesca (com a pescadora Jandira).

A denominação do nome “Garoçá” surgiu da ideia de uma professora chamada Viviane e da coordenadora Inês, de que deveria ser um desenho que apresentasse uma característica do Litoral Norte, assim chegaram ao caranguejo (Siri). Através de um concurso as crianças e funcionários votaram escolhendo qual desenho de caranguejo (típico de São Sebastião) foi o melhor, simbolizando assim o logo do projeto.